Quando nos queremos referir a uma pessoa que começa a perder a juventude costumamos dizer que é uma pessoa de certa idade. Utilizamos esta fraseologia com o objectivo de simpatia, para não entrar no rigor de ter de dizer que este ou aquele está velho. E aqui velho será entendido apenas como antónimo de novo. E, que se saiba, ninguém fica ofendido quando lhe chamam novo. Mas, para sermos um pouco mais rigorosos devemos frisar que é errado dizer uma pessoa é de certa idade, pois a pessoa ou é nova, ou é velha.
Os angolanos, sempre rigorosos quanto à utilização dos vocábulos, chamam de velho à pessoa que respeitam. E não será só na palavra que se quer respeito, este é exigido na acção e no dia a dia.
Vem isto a propósito de medidas colocadas em prática pelo Governo de José Sócrates, que acumula com as funções de secretário-geral do Partido Socialista, e que obrigam os reformados que ganham 7.500 euros por ano (cento e sete contos por mês) a ter de pagar IRS e também muitos outros que ganham ainda menos a ter de pagar taxa moderadora nos centros de saúde.
Neste capítulo das taxas moderadoras, deveriam os senhores ministros da Saúde e das Finanças, e porque não o senhor primeiro-ministro, dar uma volta (sem pompa e sem se fazer anunciar) pelos centros de saúde para perceberem a dificuldade que muitos doentes têm em encontrar uns euros no fundo do porta-moedas para ter direito à consulta. E, nessas visitas, constatariam também como os funcionários dos postos de saúde ficam incomodados ao observarem quanto custa aos idosos que levaram uma vida a trabalhar e a descontar e agora terem de continuar a pagar.
Quanto ao IRS (Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Singulares) convém que alguém explique se vive dos rendimentos quem usufrui de 535 euros por mês, depois de uma vida de trabalho e de descontos.
Estes portugueses não entendem estas medidas quando ouvem na televisão o Governo do Partido Socialista anunciar grandes incentivos a certas empresas.
JORGE SANTOS
Publicado por dizerbem em abril 17, 2006 11:22 PM